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Eu pensei que todo mundo fosse filho de Papai Noel…

December 26th, 2006 · 3 Comentários · "blog também é cultura", "só me toquei agora"

Particularmente eu não gosto do Natal, mas não vou tocar na parte, digamos que, particular da coisa.
Assim como de vez em quando discutimos sobre as cantigas de roda, e as cantigas de ninar como: “atirei o pau no gato, mas o gato não morreu” ou “dorme nenem que a cuca vem pegar”

Neste Natal refleti sobre a seguinte cantiga natalina:

“Boas Festas”
Assis Valente-1932

Anoiteceu, o sino gemeu
E a gente ficou feliz a rezar
Papai Noel, vê se você tem
A felicidade pra você me dar

Eu pensei que todo mundo
Fosse filho de Papai Noel
E assim felicidade
Eu pensei que fosse uma
Brincadeira de papel

Já faz tempo que eu pedi
Mas o meu Papai Noel não vem
Com certeza já morreu
Ou então felicidade
É brinquedo que não tem.

Esse final é o mais deprimente, e tem gente que canta isso com a maior alegria do mundo… Passeando pela net achei algumas informações sobre o autor:

“O mulato Assis Valente nasceu na Bahia e, em 1927, veio para o Rio, quando, incentivado pelo compositor e pintor Heitor dos Prazeres, começou a compor sambas que fizeram muito sucesso sobretudo na voz de Carmem Miranda, sua principal intérprete. Pertenceu à geração de compositores urbanos que num país culturalmente múltiplo associou o samba à brasilidade malandra, boêmia e moleque, processo que interessava à máquina de propaganda varguista…
…Muitas foram as tentativas de explicar sua personalidade suicida. Ingratidões e incertezas do ofício de compositor, problemas financeiros e até homossexualismo reprimido. Um dia em sua vida talvez seja mais revelador…
…O Natal de 1932 Assis Valente passou sozinho e triste em Niterói. Em seu quarto havia a gravura de uma menina de pé, entristecida, os sapatinhos sobre a cama, esperando o presente. Inspirou-se nela para compor “Boas Festas”…
…O autor da música que acalenta os sonhos, as tristezas e as ostentações do Natal só conseguiu morrer na quarta tentativa de suicídio, ao ingerir formicida com guaraná num banco da Praia do Russell, na Glória, em 10 de março de 58. Tinha aproximadamente 46 anos. (Não há certeza sobre sua data de nascimento.) Já tentara jogar-se do Corcovado, sendo resgatado pelos bombeiros preso aos galhos das árvores, atirar-se pela janela e cortar os pulsos com lâmina de barbear…”
Ho, ho, ho!

Fonte:
Artigo: A alma ferida de um compositor
Autor: Bruno Filippo Policani Borseti
Disponível em: http://clipping.planejamento.gov.br/Noticias.asp?NOTCod=170902

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3 comentários

  • 1 Daniel // Dec 27, 2006 at 10:25 pm

    Que triste a história desse rapaz, hem? Incompetente mesmo. Só conseguiu se matar na quarta tentativa! :P

  • 2 MidnightCowboy // Oct 29, 2007 at 9:30 am

    Realmente é a mais bela música de natal. São poucos versos que retratam a vida de nós todos trabalhadores que só temos o direito de trabalhar e pagar contas, nem a família nos dá valor… Nós não somos filhos do Papai Noel… apenas pensavamos que eramos…Mas o que é nosso tá guardado em baixo de sete palmos de terra….

  • 3 Celso Borseti de Figueiredo // Oct 5, 2008 at 4:23 pm

    O poeta não pode viver ´so,ele tem na alma a solidão,o pensamento suicida não le pertence,mas o ato suicida pode esta na sua solidão.Nessa obra tão linda ele pedia o fim da solidão a companheira que ele não queria,ele nunca desafiou a morte,mas sim a vida.

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