21 de Março de 2011

04:30h da manhã

Despertador do celular começa a tocar. Se é que pode chamar de manhã, pois o céu estava negro e a chuva caia copiosamente (finalmente um anúncio de que o verão já está indo embora, mas o calor, bom, esse continua).

Penso, como todo dia, se devo levantar ou não, a vontade de continuar na cama era grande demais, continuei ali, olhando a chuva e pensando na vida…

Espero o segundo despertar do celular, 10 minutos depois, e levanto, ainda cambaleando de sono. Tomo banho, não lavei o cabelo, porque com aquela preguiça eu não iria terminar tão cedo e iria me atrasar.

Visto a roupa já selecionada na noite anterior, vou até a cozinha e pego meu energético e começo a tomar. Até hoje não sei porque tomo energético, não faz efeito nenhum sobre a minha pessoa, assim como maracujá, concentrado ou não, ele e nada é a mesma coisa para me acalmar ou dar sono.

Vou até o banheiro, escovo os dentes, penteio o cabelo e largo a lata de energético vazia lá, onde ficou por alguns dias.

Pego o celular e minha “mala” contendo: casaco, livro, câmera fotográfica e um brownie que fiz no dia anterior.

Pequena pausa: fiz o brownie com amendoim, porque castanha estava muito cara. Fim da pausa.

5:05h

Entro no carro e ligo para Carol, que pela voz, estava mais dormindo que acordada.

- Carol, estou saindo de casa, você está pronta?
- Estou vestindo a roupa…
- Em 10 minutos estou aí!

Fui bem devagar até a casa de Carol, primeiro porque odeio dirigir a noite, coisa de quem tem astigmatismo e também por causa da chuva.

05:17h

Chego na porta do prédio de Carol, aguardo alguns minutos até ela descer e ela já vem disparando:

- Quase desisti de ir, ia deixar para ir mais tarde… umas 9h!

Sono define nós duas, mas vamos lá!

Todo o caminho até a maternidade foi debaixo de chuva, como é estranho dirigir em Salvador enquanto a maioria das pessoas ainda dorme. Carol disse que eu estava muito agoniada, não achei, estava tão devagar… Mas quando o caminho que tenho que fazer não é habitual, sempre fico um pouco tensa mesmo. Ou será que foi porque eu passei direto em dois sinais vermelhos? Poxa, ainda era madrugada, nem tinha sol ainda e eu ia parar o carro no sinal? Prefiro a multa!

Chegamos lá e não sabíamos onde tinha lugar para estacionar. O estacionamento pago, que fica em frente a maternidade, ainda estava fechado, vi que saída do estacionamento da Perini (famosa delicatessen de Salvador) estava aberta, imaginei que a entrada também estaria e dei a volta.

Estava fechada… pensamos rápido e decidimos entrar na Perini pela saída mesmo, passamos óleo de peroba na cara e lá fomos nós.

Estacionei o carro e ainda chovia, eu toda lesa, demorei de sair e pegar minha “mala” e ainda larguei a chave na ignição e Carol me dando pressa:

- Bora Tam, bora!

Só depois entendi que era porque o segurança estava olhando para gente. Continuei com minha cara de pau e sai do estacionamento e seguimos até a maternidade. (Todo mundo que chegava depois reclamava de estacionamento e dizia que foram barrados pelo segurança da Perini. Pensamento: Vai ver ele ficou com preguiça de tomar chuva para barrar a gente, né?)

5:45h (hora aproximada)

Chegamos lá e fomos até o quarto que Nanda já estava prontinha para ir pro centro cirúrgico.

Rodrigo, o pai, parecia estar bastante apreensivo.

Nanda achou que tudo ia atrasar, porque até então ninguém veio dar um “Oi”, só o pessoal que veio prepará-la.

Logo depois a mãe de Nanda chegou. Então eu comecei a disparar fotos para todos os lados: enquanto Nanda colocava as datas nas lembrancinhas, o futuro pai andava de um lado para o outro…

Mas logo apareceu o enfermeiro para avisar que não ia demorar muito para ela ir pro centro cirúrgico.

Fotos finais e lágrimas por todos os lados!

6h  (hora aproximada)

Nanda e Rodrigo seguem para o centro cirúrgico. Eu, Carol, Vovó e Vovô Torto seguimos para a sala de espera.

Logo chegou Silvia (irmã de Nanda) e uma Tia, que agora não me recordo o nome.

Ficamos tentando ver o que dava do parto pela janela do centro cirúrgico, já que a persiana só iria abrir depois que Clara nascesse.

Ficamos nós cinco lá espiando, espiando…

Silvia ligou para a pai, que mora em Fortaleza e de repente, não mais que de repente…

07:01h

…Carol começa a gritar, olho para ela e ela está vermelha que nem um pimentão: “OLHA ELA, OLHA ELA!”

Demorei alguns segundos para entender que “ELA” era Clara, que tinha acabado de nascer.

Gritava Carol, gritava Silvia no telefone com o pai, chorava a mãe de Nanda e eu ainda não sabia o que fazer.

Daí em diante eu só fazia “bater” foto, fotos, fotos e mais fotos… Quando eu pensava em descansar e contemplar Clara um pouco… Carol ou Silvia me cutucava: Tira foto, tira foto!

Enquanto isso, Nanda lá na mesa cirúrgica vendo a euforia de todos sem poder participar.

Peguei alguns lances dela olhando para Clara, pena que o suporte ficou na frente e não deixou que fosse uma daquelas fotos lindíssimas, mas…

E finalmente o pai babão chegou ao centro cirúrgico.

Meio sem saber o que fazer, se via a filha, ou a mulher, ou ficava parado.

Rodrigo se dizia tão preparado que na hora todo o treinamento prévio não serviu para nada!

Depois de um tempo, tirou a filmadora do bolso, aquela que iria gravar TODO  o parto e foi fazer umas tomadas da pequena Clara e da Mamãe Nanda.

Engraçado foi a hora que enfermeira veio entregar a filha pro pai, ele não tinha ideia do que fazer com as duas mãos…

É muito divertido para quem está de fora, pode ter certeza!

8h (hora aproximada)

Neném vai para o berçário, fecham a cortina e corre todo mundo junto para não deixar Clara sozinha um minuto.

A mãe de Nanda resolve descer para tentar ver como ia o fim da cirurgia e fui junto.

Dona Uilde (escrevi certo?) Wilde contou como estava angustiada e ansiosa para que corresse tudo bem com a filha e a netinha dela, que algumas pessoas  falaram mil e uma coisas que poderia dar errado.  E danou-se a chorar!

Quando finalmente levaram Nanda da sala cirúrgica, corremos para o quarto, mas a moça disse que ia demorar um pouco até ela subir.

Voltamos para o berçário, e era hora do banho de Clara.

Como chora alto essa menina, viu? Quando tiver com fome vai gritar muito no pé do ouvido de Nanda e Digo!

Eu tirei tanta foto do banho que os meninos do trabalho falaram que era praticamente um filme, mas né? Que posso fazer? rs

Nessa hora lembrei do brownie que fiz e estava lá, largado na bolsa, comi um pedaço, Carol outro e Silvia outro. No final das contas, foram os meninos do trabalho que cairam matando no fim do dia! :P

9h (hora aproximada)

Subi para o quarto de Nanda, e ela já estava lá, se recuperando da anestesia e com uns olhinhos de “cadê minha filha?”.

Falei que estava tudo bem, que ela já tinha tomado banho e estava sendo monitorada. Para que Nanda não conversasse muito, voltei para o berçário.

10h (hora aproximada)

Carol começa a sentir tonteira de fome e eu mando ela ir comer algo. Silvinha a chama para ir a lanchonete pois também estava com fome. Mas Carol não queria largar Clara “sozinha” de jeito nenhum.

Foi difícil convencê-la de que ela precisava comer para continuar em pé e manter a vigília a Clara.  Ela foi, não antes de me fazer prometer que não desgrudaria o olho de Clara, nem para piscar.

Foi nesse momento que a pediatra veio examinar Clara para “dar alta” do berçário. E é um estica e puxa, olha para lá e para cá, apaga luz, joga luz no olho da menina, coitada… enfim libera para a enfermeira furar a orelhinha.

Nessa hora, Rodrigo já estava do meu lado e disse que não aguentaria olhar a enfermeira fazer aquilo, mas coitado, nem dava para ver.

Depois de estar devidamente de orelhinha furada, a enfermeira vestiu Clarinha de rosa, que eu esperava que ia ser de amarelo, já que o enxoval todo foi feito em amarelo!!

Fez um charutinho (mães e curiosas em maternidade devem saber o que é) e colocou Clara de volta no berço.

Carol e Silvia voltaram da lanchonete. E Carol ficou revoltada por ter perdido este momento.

11h (hora aproximada)

Fui para o quarto ficar com Nanda e esperar a pequena chegar.

E como demorou…

Fiquei imaginando, que quando chegar a minha vez,  vou ter que praticar a paciência nessas horas longe do meu bebê.

E era quase meio dia quando a pequena chegou!

Veio a enfermeira com algumas recomendações e logo em seguida veio a fisioterapeuta com um mundo de recomendações, mas disse que apesar dela ter dito um monte de coisa, que ela não precisava lembrar de tudo. Ufa!

O mais importante foi ensinar a posição da criança no peito e Clara, menina esperta, pegou logo de primeira!!

Aproveitamos a mamada para tirar mais umas trocentas fotos, com avós, titias e papai.

12:30h

Chegou a hora de ir embora. Carol e eu voltamos para o trabalho e eu fui só porque tinha uma reunião com o cliente.

Estava muito cansada, foi muita emoção para um dia só!

No fim do dia, cheguei em casa com muita dor nas pernas e sem entender o porquê, só depois lembrei que fiquei em pé das 6 às 12:30h, sem sentar direito, é mole?

E assim foi o dia que Clara nasceu.

E ontem Clarinha completou seu primeiro mês de vida nesse mundo louco. E eu enrolei um mês para terminar esse post, acho que até esqueci alguns detalhes.

Só sei que 21 de Março de 2011 foi um dia que jamais esquecerei.

Acompanhei a gravidez de Nanda desde o início, desde as primeiras tentativas falhas,  desde o dia que ela mentiu para mim dizendo que o exame tinha dado negativo! :P

Os enjôos, o segredo até o terceiro mês, a vontade de não querer comer no restaurante da repartição,  a preparação do enxoval, as estripulias de Clara na barriga de Nanda na hora do almoço e as estripulias (controladas) de Nanda durante a gravidez.  Sem contar todas as tentativas de Nanda de fazer com que Clara virasse e nascesse de parto normal, foi só o detalhe que faltou.

Aprendi a enxergar uma ultrassom, aprendi que bebê na barriga da mãe tem soluço e faz cocô xixi!

E tenho aprendido muito junto com Nanda e Clara!

E agora vou acompanhar Clarinha crescendo e se desenvolvendo!

Mas o que quero mesmo é fazer de tudo para que a primeira palavra dela seja “Titiaaa”!

 

About Tâmara

"numa moldura clara e simples sou aquilo que se vê"

22. April 2011 by Tâmara
Categories: antes que eu me esqueça, meias palavras | 6 comments

Comments (6)

  1. kkkkkk Isso aí… vou te ajudar na missão que a primeira palavra seja: Titiaaaaaaaaaaa!!!!!
    O nome da vovó é Wilde… mas valeu a tentativa! Risos….

    Adorei o post!!!! Beijaooo

  2. Zorra… Assim vc detona minha imagem, Tam… hehehehe

    Diz como papai tá expert em carregar a filha agora. Que vc ficou falando para Daniel prestar atenção como é que é… :P

    E na barriga ela só faz xixi… Afe. Imagine se fosse cocô.

    Ficamos muito felizes com sua presença, acompanhando e fazendo parte, de coração, dessa família.

    Bjo.

  3. Tam,
    Adorei o post. Já li 2 vezes e não consigo ficar sem chorar.
    Não sei mais o que dizer. Só tenho a agradecer todo esse carinho!!! Nós te adoramos muito! Com certeza vc faz parte da nossa família. :)
    Bjão.

  4. Muito bom!!!
    Ao ler o post fui relembrando todos os detalhes. Lembrei até que Nanda passou rímel e batom antes do parto :D
    É muito bom este sentimento de amor que sentimos por essas “coisinhas” tão pequeninas que por mais que cresçam sempre a veremos como no primeiro dia em que nasceram.
    Não tenho blogs, por isso vou aproveitar a carona do de Tam para agradecer Nanda e Digo em compartilharem este momento tão especial conosco. Clara é perfeita, e não teria como não ser. Foi feita e esperada com muito amor. E certamente, ou Claramente, crescerá clareando a todos nós. Clareando com a luz do seus olhinhos, dos seus sorrisos, enfim…
    Obrigada!
    vou terminar antes que eu chore novamente ;)

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