40 semanas + 5 dias – O “Não” Parto

Hora de registrar como foi que Lulu nasceu. Sim, quase um ano depois, mas antes tarde do que nunca!

22/4/14- Terça-Feira – Passamos das 40 semanas. Senti algumas contrações bem espaçadas, pensei que a noite entraria no ritmo, mas nada! Dormi que nem uma pedra.

23/4/14- Quarta-Feira – Acordei com contração, de hora em hora, depois de 15 em 15. Contrações curtas e pouco doloridas.
Minha obstetra me ligou logo cedo, queria saber se estava tudo bem. Achei “estranho” ela ligar logo quando senti contrações. Quase perguntei: “Que bruxaria é essa?” Mas, de repente, as contrações pararam e relaxei!

Elas voltaram a tarde, sem ritmo algum… tirei um cochilo e tive duas contrações durante o sono. Um delas bem dolorida, mas não o suficiente para me fazer acordar. (Ou seja, em relação a dor, neste momento eu era inocente, eu não sabia de nada… )

Fiz uma caminhada e subi uns lances de escada no final da tarde. No final da noite as contrações ainda estavam sem ritmo, porém mais longas e doloridas. Mas consegui disfarçar bem na frente de minha mãe e minha sogra, já que não queria alarmar ninguém antes de ter certeza que tinha chegado a hora.
Fui deitar e parecia, parecia não, deitada doía mais.

24/5/2014- Quinta-feira- De madrugada as contrações ritmaram, 10 em 10 minutos e doloridas a ponto de incomodar. Comecei a tomar banho quente para aliviar a dor. Em um dos banhos deixei o chuveiro tão quente que desligou o disjuntor do apartamento.
Umas 4h da manhã liguei pra enfermeira da obstetra e ela disse que iria vir me ver.
Avisamos a minha mãe e meu irmão que os trabalhos haviam começado. Pronto, ninguém mais dormiu. E minha mãe já queria ir pro hospital. Sabe de nada, inocente!
Vi o dia nascer e a enfermeira só chegou umas 7h.
Sem pressa, me examinou, UM cm de dilatação, bebê alto, batimentos normais, ou seja, ia demorar… Perguntou onde doía quando vinha a contração e doía nas costas, na lombar. Ela ensinou Daniel a fazer uma massagem nas costas para aliviar as dores. Ela disse que ia num evento e que era para eu ir para a consulta que já estava marcada com a obstetra. Dependendo do resultado, ela iria me ver mais cedo ou mais tarde.
Às 11h, na consulta, contrações (doloridas) de 5 em 5 minutos, 1,5cm de dilatação e bebê alto. A médica disse que provavelmente iria demorar, que bebês adoram nascer à noite.
Tivemos a brilhante idéia de almoçar no shopping. Sugiro não sentar numa mesa de restaurante durante o trabalho de parto. Deveria ter comido um McDonald’s. Ficar sentada como se nada estivesse acontecendo não foi fácil.
Depois do almoço fomos para casa. Me tranquei no quarto para curtir as contrações.
Aí meus amigos, o bicho pegou! !! As contrações ainda de 5 em 5 minutos, mas ficaram bem fortes. Já estava bem desconfortável. Comecei a ficar incomodada. Não tinha posição que aliviasse… Banho de chuveiro, bola de pilates, massagem para tentar melhorar as dores e nada aliviava.
Umas 18h a enfermeira voltou. Ensinou outras técnicas de relaxamento. Fez escalda pés, massagem. Aliviou bastante.
Disse que ia em casa tomar banho e depois voltava.
Mas foi só ela sair que as coisas foram piorando. Muita dor. Não achava posição de conforto.
Comecei a ficar sem juízo, queria ir para o hospital tomar analgesia.
Nesse meio tempo, meu irmão ajudava Daniel nas massagens, mas nem elas faziam mais tanto efeito. A dor só aumentava e eu implorava pela enfermeira, que a essa altura eu já havia xingado de alguns nomes, coitada!
E ela não chegava!
Por volta das 22h ela chegou. Contou contração, 5 em 5. Dilatação de 7 cm. Bebê ainda alto. Conversou muito comigo, ela não queria que eu fosse para o hospital, mas eu não aguentava mais.
Ela ligou para a obstetra e fomos para o hospital.
Parecia que todos os buracos de Salvador estavam no meu caminho. Cada buraco no meio de uma contração eu ia na lua e voltava. Chegamos ao hospital e ficamos um tempo na recepção porque o plano de saúde não atendia o telefone para autorizar a internação.
A obstetra já chegou com o pé na porta. Entramos sem autorização.
Conversei muito com a médica, expliquei que a dor era insuportável e eu não achava a tal posição que todo mundo dizia que existia e aliviava a contração.
A contra gosto, ela falou que eu ia tomar a analgesia e descansar um pouco e depois iria começar de tudo novo.

Eu e a médica conversamos com o anestesista que queríamos só um alivio da dor, que eu tinha que continuar sentindo meu corpo, pois precisaria caminhar e fazer exercícios durante o trabalho de parto.
Tomei a analgesia e dormi. (Um viva para quem inventou a anestesia! )

Uma pausa: o hospital enche a boca para falar da sala de parto normal, mas eu achei o ó, gelada, cheia de aparelhos, uma bola de pilates, uma poltrona e uma banheira para relaxar, não para parir. Nada aconchegante! Aí você entende o porque das médicas que apoiam parto normal só quererem que você vá pro hospital o mais próximo possível do expulsivo.

25/4/2014 – Sexta-feira- Umas 2h30 acordei renovada. Mas não sentia as contrações. Santa analgesia.
Fui examinada. Contrações ainda de 5 em 5 e 7 cm de dilatação.
Bebê alto.
A médica sugeriu ocitocina sintética para acelerar o trabalho de parto, aceitei.
O efeito da analgesia passou completamente e as contrações começaram a vir uma atrás da outra e super doloridas, por conta da ocitocina sintética. E eu lá na bola de pilates, fazendo agachamento com um lençol amarrado na porta do banheiro, andando de um lado pro outro. Até que as dores já eram tão fortes e insuportáveis que eu não conseguia nem me mexer.

Já era 5 da manhã. Pedi penico, cheguei no meu limite!
Fui examinada. 7 cm e bebê alto. Sem evolução!
A médica sugeriu estourar a bolsa, que já estava pronta para estourar e não estourava sozinha, aceitei.
Tinha mecônio no líquido amniótico e a médica fez uma cara estranha. Uma cara de quem estava desistindo…
Daniel diz que nessa hora ele quase desmaiou como reação a cara que a médica fez.
Ela conversou comigo e com Daniel e disse que, o mecônio sozinho não era risco pro bebê, que se mantia estável desde o início do trabalho de parto. Porém o bebê estava alto e o trabalho de parto não tinha engrenado. Ela disse que poderíamos continuar, mas que ela tinha que me dizer que iria demorar mais algumas horas para Luísa nascer e a conjunção das coisas era algo para eu pensar.
Conversamos mais um pouco avaliando a situação: eu estava esgotada, as dores estavam me acabando, já tinha passado mais de 24 horas de contrações ritmadas, e a coisa não engrenou nem com ocitocina, o bebê não descia, a médica não entendia o porquê ou não quis dizer naquele momento para não me fazer desistir de vez.
Joguei a toalha, não dava mais para mim, e então decidi fazer a cesariana.
Daniel já tinha “decidido” desde que viu o mecônio, mas não disse nada e pela reação da médica, que não conseguia disfarçar a cara de desânimo com a situação, a cesária era minha melhor opção. Ou seja, Daniel já tinha desistido e a médica já tinha desistido (não disse, mas senti)!

A cirurgia foi tranquila, muito melhor do que eu imaginava para uma cesariana. Fugi tanto daquilo, tinha tanto medo de ser cortada acordada, da anestesia, que acho que estava cansada de lutar e fui para mesa de cirurgia entregue.

Mais uma vez, agradeço a quem inventou a anestesia, pois, não senti absolutamente nada.
A médica foi ótima, não tapou meu campo de visão e apenas colocou um pano em cima da minha barriga para eu não ver a cirurgia. Daniel ficou do meu lado o tempo todo! Como sempre, desde o início!
E, de repente, ela chama Daniel e avisa, Luísa vem aí. E Lulu nasceu, não chorou, apenas abriu os olhos, e que olhos, para o mundo que a esperava.
Depois dos procedimentos padrão do hospital, ela veio para mim. A médica tinha pedido para eu não ficar amarrada, mas eu estava tão emocionada que não conseguia fazer nada. Colocaram Luísa no meu peito e ela abocanhou como se tivesse feito aqui a vida inteira. Foi lindo, aí a levaram de mim…

E vocês acham que acabou?
Quando a médica foi tirar a placenta, descobriu que ela estava “presa”, o que eles chamam de placenta acreta, e a médica que estava junto com ela fez outra cara de espanto e disse: “Xiii, ainda bem que não foi normal, hein?” E eu ali sem entender nada!
Depois ela vem me explicar o que era isso. A placenta estava presa na parede do útero e eu tinha três opções em caso de parto normal:
1- a placenta sair, o que seria difícil;
2- a médica ter que colocar a mão lá dentro para tirar a placenta;
3- fazer uma cirurgia para tirar a placenta, praticamente uma cesária após o parto normal!
Eu não sei o que iria acontecer, mas a médica disse que tirou minha placenta aos pedaços.
E só para não dizer que a vida não imita a arte, no final, uma cena de Grey’s Anatomy: a enfermeira estava lá contando os panos da cirurgia enquanto a médica terminava de me costurar, quando disse que faltavam dois panos!!! Como assim, Bial? Minha médica surtou, disse que não estavam dentro de mim, que tinha olhando bem antes de fechar, mas a enfermeira não achava os diachos dos panos em lugar algum. Foram alguns minutos de tensão, delas, porque eu não estava mais nem aí, só queria saber por onde andava minha filha. No final das contas, a enfermeira achou os panos no lixo, e saiu reclamando: “muita gente aqui dentro, cada um faz o que quer e me deixa doida!”.

E foi assim o meu “não parto”! Não foi do jeito que eu sonhava e planejei, mas foi do jeito que tinha que ser. E vida que segue!

Me falta agora coragem para escrever sobre o nebuloso período do puerpério, quem sabe um dia!

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